A Night at the Opera é o quarto álbum de estúdio da banda britânica de hard rock Queen,
lançado em 21 de novembro de 1975 na Europa e em 2 de dezembro de 1975 nas
Américas.
Com esse álbum, o Queen
adotou uma sonoridade diferente comparada com seus discos anteriores, fazendo
grande uso de um piano e de muitos outros instrumentos nunca
experimentados pelo grupo até então. Canções como "Love of my Life" e "Bohemian Rhapsody" fizeram um enorme
sucesso, sendo executadas em todos os concertos do grupo desde então, e
ajudaram a divulgar o álbum inteiro. Apesar de que Freddie Mercury e Brian May, o vocalista e o guitarrista do
grupo respectivamente, compuseram a maioria das letras, o baixista e o
baterista, John Deacon e Roger Taylor, também contribuíram com canções
próprias, e todos trabalharam igualmente no arranjo das melodias.
"Bohemian Rhapsody" é a canção mais inovadora do disco, dividida em
três partes e sem refrão, a faixa mescla rock e ópera e foi recebida com descaso pela
gravadora do grupo, que não acreditou em seu sucesso devido a sua estrutura,
mas, assim que foi lançada, a canção foi um sucesso nas paradas e tornou-se a
marca registrada da banda. Todo o instrumental do álbum foi gravado
separadamente por cada membro do grupo em diferentes estúdios, e a capa foi
obra de Freddie Mercury.
Assim que foi lançado, A Night at the Opera estreou direto no topo da UK Albums Chart, do Reino Unido, e chegou ao quarto lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o disco que levou o
Queen a atingir popularidade mundial e a se consagrar no mundo da música. O
disco também foi um sucesso de crítica, frequentemente apontado como um dos
melhores discos da música em geral, tendo vendido mais de cinco milhões de
cópias nos anos 70, um número impressionante para os mercados da época.
Gravação e produção
Para que cada membro
pudesse se dedicar mais ao trabalho, os quatro integrantes do grupo decidiram
realizar suas respectivas gravações em estúdios separados. A produção começou
em agosto de 1975 e foi concluída rápido, em menos de um mês, já que não houve
envolvimento de nenhum músico externo, e todo o trabalho foi realizado na Inglaterra.
O vocalista, Freddie Mercury, gravou a maioria de seus
vocais e também as partes de piano num pequeno estúdio em sua própria casa, na cidade
de Londres.
O cantor se dedicou arduamente a canção "Bohemian
Rhapsody", cuja letra e melodia foram totalmente compostas por
ele, com o cantor descrevendo essa música como seu "bebê"; as
gravações para essa faixa começaram no Rockfield Studios em
24 de agosto, depois de três semanas de ensaio, e, segundo os outros integrantes,
Mercury preparou a música mentalmente com antecedência, e dirigiu a banda
durante a produção. Mercury usou um piano Bechstein, que ele também
usou vídeo promocional e em várias turnês posteriores. Devido à natureza
elaborada da música, ela foi gravada em várias seções, e a junção foi realizada
usando a batida da bateria para manter todos os acordes
sincronizados.
O baterista, Roger Taylor,
também realizou a maioria de seu trabalho em sua própria casa, e sua principal
contribuição para o álbum foi a canção "I'm in Love with My Car",
que ele havia pré-gravado algum tempo antes, também tocando as partes de guitarra na demo original. Quando levou a
canção para o estúdio, o guitarrista Brian May pensou
que fosse uma piada de Taylor devido a sua letra e estrutura simples, porém
gostou da canção mesmo assim, e regravou as partes de guitarra para a versão
final, na qual o próprio Taylor é o cantor principal. May foi o principal
compositor e produtor ao lado de Mercury, tendo criado boa parte das canções,
como "39", para a qual ele gravou os vocais em estúdio; para gravar
suas partes de guitarra, May preferiu estúdios pequenos, procurando por uma
atmosfera mais intimista, e além de guitarra, ele também gravou outros
instrumentos para o álbum, incluindo uma harpa em "Love of my Life",
também sendo o vocal principal de "Good Company". Para esse álbum, o
baixista John Deacon criou sua primeira canção, "You're My Best Friend", faixa para qual
ele também gravou as partes de piano elétrico com um Wurlitzer,
já que Mercury não gostava desse instrumento.
Após finalizarem as
gravações, os integrantes de grupo levaram poucos dias para completar a edição
e masterização do disco já que eles mesmos realizaram a maioria do trabalho,
com auxílio técnico do produtor Roy Thomas Baker, com o
álbum tendo ficado pronto três dias antes da data de lançamento.
Lançamento e recepção
Um sucesso imediato no Reino Unido, assim que foi lançado o disco
estreou direto no topo da UK Albums Chart, se mantendo em primeiro
lugar por seis semanas não consecutivas, enquanto que o single principal, "Bohemian Rhapsody", se manteve no topo da UK Singles Chart por nove semanas seguidas. O disco
rapidamente ganhou Disco de Platina no Reino Unido com mais de trezentas
mil cópias vendidas, e mesmo tendo sido lançado um mês antes do final do ano,
tornou-se o décimo segundo disco mais vendido do ano no país. Nos Estados Unidos, o disco chegou a quarta
posição da Billboard 200, enquanto "Bohemian
Rhapsody" chegou a nona posição da Billboard Hot 100, uma grande surpresa
para a gravadora, que não acreditava que a canção seria uma boa promoção do
disco. Em dois meses, o álbum vendeu um milhão de cópias nos EUA e ganhou Disco
de Platina, sendo que hoje em dia as vendas já superam as três milhões de
unidades. O álbum ainda chegou ao topo das paradas na Austrália, Holanda e Nova Zelândia.
A Night at the Opera também foi um sucesso de crítica, e é hoje considerado um dos
maiores clássicos do rock and roll. Stephen Thomas Erlewine, do Allmusic,
escreveu que o álbum é um "icônico marco dos anos 70", dizendo que é
como a versão do Queen para o Led Zeppelin IV, mas que enquanto Robert Plant "celebra
a obscuridade", Freddie Mercury optou por cantar com
"majestade". Kris Nicholson, da revista Rolling Stone, escreveu que o que mais
impressiona é a "facilidade com que o Queen põe tantos estilos juntos em
harmonia". No Melody Maker, John Grat descreveu o álbum
como "muito forte" e recomendou aos ouvintes que "o colocassem
no último volume e aproveitassem", enquanto Marck Nutts, da BBC,
escreveu que o Queen demonstrou ter um potencial "ilimitado" com esse
disco, apontado por ele como "o ponto alto de 1975".
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